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Olho de Odinn |
Conhecimento histórico é o conhecimento acerca do homem inserido no tempo e no espaço. É ciência humana direcionada para um todo através da análise do particular, do específico. É um conhecimento “pósgnostico” de experimentação empírica impossível, logo, apreensivel, investigativo e tendo no centro a atividade do historiador como agente primordial da construção deste conhecimento, que é quem faz o recorte temporal e espacial e sua ligação com a rede do todo, tornando o link possível. O conhecimento histórico está intimamente ligado ao espírito de investigação e, sendo dedutivo, não define “a verdade” ou formula leis, mas reconstrói desdobramentos possíveis embasados em fontes, ou seja, levanta hipóteses de verdade. Não explica o presente a partir de seus conhecimentos acerca do passado, mas é peça imprescindível para sua melhor compreensão. Odi
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:: Terça-feira, Maio 27, 2008 ::
Cultura e História na Idade Média
“Num mundo sem obras culturais, a especificidade da presença do homem se anula”(VAZ)
Quando ouvimos referências ao período da Idade Média, geralmente trazemos arraigados toda uma carga de preconceitos anteriores que ofuscam a compreensão do alcance e da beleza deste período tão complexo e instigante. Entretanto quando começamos a travar um contato mais próximo e esclarecedor com a História Medieval, percebemos o quanto estes preconceitos são descabidos e o quanto a Idade Média é um período complexo, por demais longo e cheio de transformações, e em se falando de cultura, é também o berço da formação cultural ocidental cristão que hoje conhecemos.
Dentro destes preconceitos que são trabalhados em nós no decorrer de uma formação estudantil de caráter positivista em nível básico e secundarista, o mais comum é o famoso epíteto “Idade das Trevas” ao se referir à Idade Média. Esta “alcunha” traz em si uma carga de negação de significado, e até mesmo de existência cultural, que chega a ser ridícula diante da importância de tudo que produziu culturalmente o homem medievo. O homem medieval foi um homem de muitas adaptações, de construções mentais, de renovações, de conflitos e lapidações. As expressões culturais que são, de forma incessante, a representação do mundo e até mesmo a criação do mundo humano, do seu espaço vital, ao longo do período medieval, são complexas e variáveis ao contexto histórico, que por sua vez reflete-se na própria variação da cultura, já que esta é, em seu sentido objetivo, contextura social e dimensão histórica.
Através das manifestações culturais da Idade Média podemos apreender a imensa heterogeneidade daquela sociedade, a convivência de várias culturas na formação de uma, que ao mesmo tempo que domina, também absorve valores. Através destas manifestações é que podemos contemplar a complexidade, ou melhor dizendo, a especificidade, do homem medieval. O homem que produz esta cultura, que vem moldando-a no decorrer do período, é um homem que já surge da crise do Império Romano, da decadência e da invasão dos bárbaros. Temos a herança dos romanos aliada à contribuição dos povos de fora do império que agora passam a viver lado a lado. Isto fica claro na arte paleocristã, onde percebemos indícios do classicismo, ao lado de utilização de técnicas e representações bárbaras, sobretudo na ourivessaria, auveolado e no colorido. No início, é extremamente normal que esta cultura tenha seguido os passos de um passado recente, mas que à medida que seus valores foram sendo alterados, sobretudo pelo cristianismo, pela universalização da arte como emanação do divino, este passado fosse sendo abandonado e ganhando uma forma mais própria, mais característica.
A arte medieval, na medida que bebia do cristianismo e da Igreja em formação, foi abandonando o que ainda trazia dos valores clássicos romanos. A representação fiel da natureza deixou de ser importante, causando o abandono progressivo da mímese, dando lugar a uma representação do divino sendo emanado para quem pudesse ver a obra de arte. A exatidão não faz sentido diante da expressão do sagrado, já que a beleza vem de Deus e a racionalização da forma é um valor do homem. A verdade da arte não está no artista, mas na obra que reflete o divino e por todos é apreendida como manifestação deste. A individualidade do artista se anula frente ao universalismo da manifestação do divino.
Com o desenvolvimento do cristianismo como uma religião culta, de influência racionais gregas na problematização da fé, temos o surgimento de uma elite, o clero, que por sua vez, não consegue eliminar a influência da religiosidade popular nas obras de arte, religosidade em muito influenciada pelos costumes locais e pelos mitos dos povos bárbaros. É ainda inegável a transição de informações culturais entre a elite e a plebe, numa zona que Hilário Franco Júnior, seguindo Le Goff, chamou de “Cultura Intermediária” em sua célebre obra, A Eva Barbada, sobre a mitologia medieval na formação do cristianismo. Nas representações fantásticas que o artista medieval lançava mão com liberdade, temos representações de seres mitológicos de diversas origens convivendo com a iconografia cristã como adornos. E esta mesma liberdade do artista em matéria criadora, também o permite trabalhar de forma muito livre com as cores, representando sempre de forma intensa os matizes de sua obra. Afora o respeito à iconografia, o artista possuía uma grande liberdade de expressão na medida que se encontrava livre da mímese e de qualquer obrigação de representação da realidade ou da natureza.

O homem medieval transcende a subjetividade cultural de forma enfática. Mesmo partindo do particular de sua fé, o artista se anula totalmente em sua obra em prol do divino, em prol da transmissão da mensagem religiosa. Havia de forma muito intensa o sentido pedagógico das obras de arte, sobretudo relevos, painéis, vitrais e pinturas, que tinham papel decisivo na instrução do povo iletrado, que neste período, não raras vezes, incluía também a nobreza, já que as letras estavam, em grande medida, restritas ao clero. A manifestação cultural medieva deixa a subjetividade intrínseca de forma tão contundente como talvez em nenhum outro período histórico se tenha visto, mergulhando de cabeça na objetividade, na função, na transmissão do significado para todo um grupo.
Desta forma, quando nos lembramos do famigerado termo “Idade das Trevas” e todo seu caráter de negação de produção cultural, em contraste com tudo que percebemos da Idade Média, fica logo claro o quanto esta alcunha é sem sentido. É justamente pela manifestação cultural daquele período que podemos perceber de forma profunda toda a complexidade e heterogeneidade daquela sociedade, e assim, aproximarmo-nos da especificidade do homem que construiu a história naquele período.
:: Odi Terça-feira, Maio 27, 2008 ::
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:: Quarta-feira, Abril 30, 2008 ::
- D e L a u d e N o v a e M i l i t i a e -
Da Excelência da Nova Milícia, de São Bernardo, monge e abade cisterciense de Claraval, dirigido aos cavaleiros Templários de Jerusalém no século, é o segundo documento que toma parte deste trabalho. Escrito pouco tempo após o reconhecimento oficial da ordem pelo papa e a pedido do grão mestre da ordem, Hugo de Payens, este documento é mais que um texto de exortação e inspiração para os cavaleiros templários. Podemos encontrar em suas páginas as teorias de legitimação da cavalaria eclesiástica, verdadeiro manual de comportamento para os monges cavaleiros e uma crítica severa à cavalaria secular laica, que com seus valores e códigos próprios trabalhados através de uma mitologia medieval que remontava a lendas pré-romanas, representavam uma ameaça ao controle social da igreja.
São Bernardo, a sua época, exercia tamanha influência sobre o pensamento eclesiástico e as estruturas da Igreja que muitos consideram que o próprio papa ficava ofuscado por ele. O De Laude Novae Militiae veio, ao mesmo tempo, consolidar a nova ordem dos pobres soldados de Cristo do templo de Salomão e servir de base para as demais ordens de cavalaria que se seguiriam dentro da estrutura eclesiástica.
O abade de Claraval busca legitimar e inspirar os cavaleiros Templários. Ao mesmo tempo busca desestimular as práticas não condizentes com os valores da Igreja presentes na cavalaria laica. Todo o texto tem passagens claras de legitimação e exortação aos monges-cavaleiros, bem como uma crítica cerrada à cavalaria laica.
Para São Bernardo, o cavaleiro Templário seria o continuador da luta de Cristo no deserto contra o diabo. Da mesma forma que Jesus havia lutado por quarenta dias contra o demônio, sendo tentado e alcançando, enfim, a vitória, os templários seriam seus soldados na luta contra os filhos do demônio, ou seja, os muçulmanos.
Vuela por todo el mundo la fama del nuevo genero de milicia que se há establecido en el país mismo que el Hijo de Dios, hecho visible en la carne, honró com su presencia, para exterminar, en el mismo lugar de onde orrojó El por entonces a los principes de las tinieblas com la fuerza de su brazo, a sus infelices ministros, que son los hijos de la infelicidad, disipandolos por el valor de estos bravos caballeros, haciendo así aun el día de hoy la redención de su pueblo y enerbolando nuevamente el trofeo de nuestra salvacion en la casa de David, su siervo. (...) se dan a un tiempo mismo dos combates com um valor invencible: contra la carne y la sangre y contra los espíritus de malicia que estan esparcidos en el aire. (P 854)
Além da justificação, São Bernardo surpreende os estudiosos ao realizar a união do guerreiro ao monge na figura dos templários, uma vez que seu passado, pois era filho e irmão de cavaleiros, era de extremo dissabor e aversão às armas. Após abraçar a carreira eclesiástica, o monge conseguiu inclusive converter e tirar da cavalaria, tanto seus irmãos como seu próprio pai. No entanto, no texto percebemos uma grande admiração pelos cavaleiros de Cristo, a ponto de sugerir que o templário, dentro uma suposta hierarquia social aos olhos da Igreja, estaria inclusive em um nível acima ao dos monges.
A la verdad, hallo que no es maravilloso ni raro resistir generosamente a un enemigo corporal com las solas fuerzas del cuerpo. Tampoco es cosa muy extraordinaria, aunque sea loable, hacer hacer guerra a los vicios o a los demonios com la virtud del espíritu, pues se ve todo el mundo lleno de monjes que están continuamente en este ejercicio. Mas quién no se pasmará por una cosa tan admirable y tan poco usada como es ver a uno outro hombre poderosamente armado de estas dos espadas y noblemente revestido del cenidor militar? (P 854)
(...)
porque, si los que mueren en el Senor son bienaventurados, cuanto más lo serán los que mueren por el Senor. (...) A la verdad, de cualquiera manera que se muera, sea en el lecho, sea en la guerra, la muerte de los santos será siempre preciosa delante de dios; mas la que ocurre en la fguerra es tanto mas preciosa cuanto mayor es la gloria que la acompana.(P 855)
São Bernardo realiza nesta passagem a união do monge e do cavaleiro na figura do templário. Além disso, ao dizer é mais louvável morrer “por Cristo” do que morrer “em Cristo”, automaticamente diz ser mais louvável a morte em batalha defendendo a cristandade e o cristianismo do que a morte do monge que vive na caridade e na oração. O Templário surge superior ao monge.
Outras questões importantes sobressaem-se no texto, principalmente quando nos lembramos dos valores exaltados pela Canção de Rolando e outras canções de gesta. São Bernardo condena a pilhagem e os espólios de guerra como fonte de riqueza dos cavaleiros. Enquanto a ganância estimularia os cavaleiros laicos, a recompensa requerida e merecida pelos templários seria uma recompensa atemporal, a ser colhida na vida eterna, pois o cavaleiro de Cristo combatia pelo Senhor e jamais pecava em batalha. A impetuosidade do cavaleiro, tão valorizada anteriormente, era vista como negativa e somente o templário, que matava o mal e não a pessoa portadora do mal, é que não incorria em pecado. Ademais, se o cavaleiro morresse, teria apenas o inferno a sua frente, enquanto que ao templário, que lutava por Cristo, estava reservado seu lugar no paraíso.
A beleza e os enfeites exorbitantes das armaduras, que facilmente encontramos a todo momento nas canções de gesta, são duramente criticadas por São Bernardo quando tem por tema a cavalaria laica.
Cubris los caballos de bellas gualdrapas de seda, aforráis las corazas com ricas telas que cuelgan de ellas, pintais las picas, los escudos y las sillas, llevais las bridas de los caballos y las espuelas cubiertas de oro, de plata y de pedreria, y com toda esta pompa brillante os precipitais en la muerte com un furor vergonzoso y com una estupidez que no tiene el menor miramiento. Son estos equipajes de guerra y no más bien adornos de mujeres? Pensais que la espada del enemigo tendrá respeto al oro que llevais? Que preservará vuestra pedreria y que no será capaz de pasar esas belas telas de seda? (P 856)
Outro ponto de divergência entre os Templários e os hábitos dos cavaleiros laicos, está justamente nas atividades a que se dedicavam quando não estavam em marcha ou em combate. Entre os laicos eram valorizados os exercícios de esgrima, os jogos de tabuleiros, etc, todos tidos como atividades ligadas à nobreza. Entretanto, São Bernardo faz bem a diferença entre estes e o templários ao relatar as atividades do cavaleiros de Cristo quando não estavam empenhados em lutas. Estas atividades seriam verdadeiros afazeres de monges.
Não estão jamais ociosos nem correm daqui pra lá desejando satisfazer sua curiosidade, sendo que quando não estão em marcha, o que acontece raras vezes, estão sempre ocupados, para não comer ociosamente seu pão, em refazer o que há de roto em suas armas ou em seus hábitos, em reparar o que está demasiado velho ou em colocar em ordem o que está desorganizado; enfim, trabalhar em tudo aquilo que for da vontade do grande mestre ou que a comum necessidade prescreve. (P 860) Tradução livre.
- C o n s i d e r a ç õ e s f i n a i s -
Tendo em vista a comparação entre os dois documentos e a efetiva legitimação da Ordem dos Cavaleiros Templários pela Igreja durante o movimento das cruzadas, podemos pensar em como, diante de uma situação social que se apresentava problemática, São Bernardo foi decisivo para a criação real de um modelo perfeito de cavaleiro sob os valores das classes eclesiásticas. Ao mesmo tempo que o abade foi inovador ao reconhecer o papel importante dos cavaleiros cruzados dentro da sociedade feudal, alicerçando, criando parâmetros e dando justificativas bem embasadas no contexto do vigente pensamento cristão ocidental, não se pode deixar de questionar até que ponto tal atitude foi realmente inovadora ou, ao contrário, despontou como a saída perfeita para encaixar um setor tido como problemático na sociedade, ao conservadorismo e ao domínio da Igreja Católica.
Pode-se também pensar que, assim como as lendas pré romanas pagãs, como Tristão e Isolda ou o Santo Graal, foram cristianizadas pela elite cultural eclesiástica como única saída para subjugar o imaginário popular, a cavalaria, setor onde estas mesmas lendas encontravam ecos na elaboração de sua identidade de classe recém formada, acabou passando, sob a pena de São Bernardo, através da linhas de De Laude Novae Militiae, por uma reformulação, que, ainda que seja discutível enquadrar como solução política dentro do contexto da Idade Média, demonstrou ser, cabalmente, a solução adequada para que a Igreja pudesse ter sob sua tutela e orientação a cavalaria e a pequena nobreza da cristandade ocidental.
B i b l i o g r a f i a:
1 - LEONI, G D - A Canção de Rolando. Estudo introdutivo e tradução., São Paulo, Editora Atena, 1958.
2 - SÃO BERNARDO - De la Excelencia de la Nueva Milicia – Madrid, BAC, 1955
3 - FRANCO JUNIOR, Hilário. A Idade Média e o Nascimento do Ocidente. São Paulo, Editora Brasiliense.
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- A C a n ç ã o d e R o l a n d o -
Altos são os outeiros e tenebrosos os vales, cinzentas as rochas, terríveis os desfiladeiros. Canção de Rolando – Séc XI
A Canção de Rolando é considerada a primeira canção de gesta já encontrada. O primeiro trovador a entoá-la, por volta do ano 1090, foi o Conde de Poitiers. A canção trata de um episódio que teria se passado por volta do ano 778, na Espanha. O imperador Carlos Magno teria ido combater os mouros na península ibérica e depois de derrotar todas as cidades ficou faltando apenas Saragossa, onde reinaria o rei Marcílio. Tal rei teria mandado mensageiros ao exército franco para tentar ludibriar Carlos Magno que, desconfiado, manda o conde Ganelão, indicado por Rolando, sobrinho do imperador e seu próprio enteado, como seu mensageiro até Saragossa. Na corte do rei muçulmano, Ganelão alia-se a ele no intuito de matar Rolando quando da retirada do exército francês da Espanha. Em suma, a canção trata da derrota de Rolando, que teria ocorrido à retaguarda do exército do imperador, por 400 mil guerreiros mouros contra 20 mil seus. Pelo orgulho de cavalheiro, Rolando não deixa tocarem a trombeta que faria com que o imperador viesse socorrê-lo e tomba lutando bravamente até a morte.
O termo “gesta” vem do latim e significa grandes feitos. Enquadrando-se nesse tipo de manifestação cultural, a Canção de Rolando é na verdade uma poesia guerreira, uma representação militar construída, muito provavelmente, pelos próprios militares. Foi feita para ser cantada pelos cavaleiros e difundida, assim, entre eles, transmitindo alguns valores específicos da cultura da cavalaria laica. Podemos encontrar alguns destes valores em vários trechos da poesia.
A Canção de Rolando desempenha um papel de estudo importante, por tratar-se de um texto que permite identificar valores culturais de uma nobreza secular, diferente da cavalaria eclesiástica. Podemos até dizer, valores que se contrapõe, uma vez comparados com o texto de São Bernardo de exortação do cavaleiros Templários. Em toda a canção podemos identificar quatro grandes referências de valores da cavalaria laica: o orgulho, a impetuosidade, a belicosidade valorizando as conquistas e a beleza e a força como padrão estético do cavaleiro.
O orgulho, sem dúvida o valor que acaba sobressaindo-se entre os demais na poesia, está presente no próprio fato de Rolando ter preferido lutar até a morte a tocar a trombeta, ou o corne como aparece no texto. Um dos seus vassalos, irmão de sua noiva e seu grande amigo, Olivério, certo da traição de Ganelão, aconselha-o a fazer soar a trombeta, mas o orgulho de Rolando é que prevalece e ambos lutam até a morte. O orgulho aparece de forma ambígua inclusive, pois ao mesmo tempo que é exaltado e serve de exemplo para os cavaleiros que ouvem a canção, também fica claro que é ele o motivo da desgraça de Rolando e da morte de todos os que estavam com ele.
Rolando não pode pensar numa traição e recusa atender ao sábio conselho de Olivério: se tocar o corne, cujo som atravessa montes e planícies, o imperador compreenderá o perigo e voltará. Começa a batalha, que tem três fases: na primeira os cristãos pensam ainda na vitória; mas os inimigos são tantos que não é possível acreditar no sucesso: durante o segundo assalto aos cristãos já sentem o desastre e preparam-se para morrer heroicamente. Afinal, Rolando compreende a realidade e sente remorso do seu orgulho: quando dos vinte mil cavaleiros só lhe restam ao redor sessenta companheiros e os sarracenos iniciam o terceiro assalto (P.10).
A impetuosidade é outro atributo característico do típico cavaleiro laico que desponta na canção de gesta. Ao lado do orgulho, podemos perceber a valorização desta característica como opositora de qualquer tipo de exitação... o cavaleiro precisava ser impetuoso e jamais vacilar diante do inimigo ou do perigo, fosse ele qual fosse. Ao ser provocado deveria reagir imediatamente e à altura da provocação recebida.
Os pagãos armam-se com cotas sarracenas, na maioria de tríplice malha; fecham os resistentes elmos de Saragossa, cingem-se com espadas de aço vienense ; têm escudos preciosos, lanças de Valência, gonfalões brancos ou azuis ou vermelhos. Deixam os mulos e os palafrens: montam ginetes e cavalgam em fileiras cerradas. Claro é o dia, fulgurante o sol: cada armadura é flamejante. Tocam mil trombetas para tornar mais belo o espetáculo. Grande é o barulho: ouvem-no os francos. Disse Olivério: “Amigo, penso que daqui a pouco teremos assalto dos sarracenos”. Rolando responde: “Deus queira! Devemos resistir aqui para nosso imperador”. (P.49).
Na Canção de Rolando podemos perceber tais atributos não só entre os cavaleiros francos, mas também entre seus inimigos mouros, que fora o fato de sertem pagãos, são, todo o tempo, descritos como grandes e respeitosos cavaleiros.
O rei Marcílio começa a tremer pela raiva: gostaria de ferir o barão franco com um dardo enfeitado de penas de ouro; mas um de seus homens lho impede. (P.33).
Da mesma forma, a belicosidade e a conquista são valorizados. Al´m da coragem de combater e da presteza com que o cavaleiro deveria sempre buscar a vitória, os espólios da conquista eram valorizados, inclusive como forma de ofertar e agradar o seu senhor. A busca pelo espólio de batalha era considerada legítima e encorajada dentro da cavalaria laica. O senhor amado pelos seus vassalos era aquele que justamente distribuía as riquezas que conseguiu em batalhas entre seus cavaleiros e o bom vassalo era aquele que grandes riquezas conseguia conquistar para seu senhor.
O imperador termina o seu discurso. O conde Rolando, que não está de acordo, levanta-se e começa a contradizê-lo Ele disse a Carlos: “Não deveis crer em Marcílio! Estamos na Espanha faz sete longos anos: eu para vós conquistei Noples e Comibles, conquistei Valtierra e o território de Pina, Balaguer, Tudela e Sevilha. O rei Marcílio sempre foi grande traidor”. (P 26).
Podemos contar claramente na citação acima que Rolando cita suas conquistas para imperador como algo que lhe dá legitimidade diante do monarca para que possa aconselhá-lo. Desta forma ele se põe em condições de prestar-lhe o dever de CONSILIUM, explicitando seu valoroso AUXILIUM prestado durante a campanha e as conquistas que alcançou para o imperador. Em outra passagem encontramos a valorização da distribuição das riquezas na pessoa de Rolando também no sentido contrário, ou seja, o herói da canção em relação, por sua vez, a seus vassalos, assim como em relação a seu senhor:
Balacandrim continua: “Malvado é Rolando, que quer oprimir todos os povos e ter para si todas as terras. Mas com quem vai contar, para obter tudo isso?” –“Com os francos (responde Ganelão): eles amam-no de tal maneira que sempre estarão com Rolando. E de Rolando recebem ouro e prata, mulos e ginetes, tapetes e belas vestes. Também o imperador tem, graças a Rolando, o que quer: Rolando lhe conquistará todas as regiões, daqui até o Oriente”. (P.32).
Entretanto, o grande diferencial que podemos encontrar no paralelo dos documentos deste trabalho entre a cavalaria laica e a eclesiástica, é sem dúvida a valorização da força e da beleza, principalmente quando, como costume da época, associamos ornamentação de riquezas com a idéia de belo vigente. Esta valorização está presente na mentalidade da nobreza laica como forma de impor-se e, ao mesmo tempo, diferenciar-se do restante da sociedade medieval e será um dos pontos principais que São Bernardo irá combater no seu texto dirigido aos cavaleiros Templários. Em inúmeras passagens da Canção de Rolando encontramos exemplos de beleza e de riqueza como algo positivo entre os cavaleiros. Encontramos a semente do chamado “amor cortesão”, que começa a despontar nos valores do imaginário medieval e que encontraria seu ápice mais tarde, em outra canção de gesta, Tristão e Isolda, quando a beleza desponta na Canção de Rolando como algo que “agrada” às mulheres. Eis alguns exemplos:
À sombra de um pinheiro, perto de uma roseira selvática, erigiram uma poltrona inteiramente de ouro: lá senta-se o imperador que possui a doce França. Branca é barba, a cabeça é flórida, belo é o corpo e o rosto altivo. Não é preciso indicá-lo a quem o procura. (P 24)
O conde Ganelão está muito angustiado: joga de seu pescoço as grandes peles de marta, fica só com a túnica de seda. Tem olhos denegridos, rosto altivo, corpo prestante e largo peito: era tão belo, que todos os seus pares o admiravam. (P 29)
“Belo senhor, - assim começa Marcílio, - injustamente te tratei quando, movido pela ira, quis até matar-te. Peço desculpas, oferecendo estas peles de zibelina, que valem mais de quinhentas libras de ouro.”(p 35)
Eis o emir de Balaguer: belo corpo, rosto aberto e altivo; quando cavalga, ostenta as armas com orgulho; tem renome de valoroso e, se fosse cristão, seria um grande barão. (P 45)
Aproxima-se correndo Margarin de Sevilha: é sua a terra até Camarinas. As damas gostam dele pela sua beleza: nenhuma mulher, vendo-o, deixa de alegrar-se e, olhando para ele não pode senão sorrir. (...) até ao chão ondeiam seus cabelos. Quando quer brincar, levanta um peso maior que os que podem ser carregados por sete mulos. (P47)
Finalmente, durante a análise da canção, podemos deparar com passagens que exemplificam a maneira como os cavaleiros laicos apreciavam passar o tempo em que não estivessem envolvidos em combate, de forma a não realizarem nenhuma atividade que não fosse condizente com sua condição de nobreza.
Sobre brancos tapetes estão sentados os cavaleiros e para se divertirem jogam as tábuas, os mais sábios e os velhos jogam xadrez; os ágeis bacharéis se exercitam na esgrima. (P 24)
OPJ
Referência: LEONI, G D - A Canção de Rolando. Tradução. São Paulo, Editora Atena, 1958.
:: Odi Segunda-feira, Abril 07, 2008 ::
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:: Terça-feira, Abril 01, 2008 ::
A cavalaria na Idade Média: laico versus eclesiástico.
Estudo comparativo de textos: A Canção de Rolando & De Laude Novae Militiae
A Idade Média central, principalmente a partir do século XI, foi palco de acentuadas mudanças sociais, políticas e econômicas. Essa efervescência veio a romper com a predominância cultural clerical, tão acentuada no período da Alta Idade Média. A cultura vulgar ressurgia com força e, o que Hilário Franco Júnior chamou de “Cultura Intermediária”, passou a marcar presença em quase todos os campos. O equilíbrio de forças entre os dois pólos culturais, o erudito e o vulgar, também chamado por Jacques Le Goff de “Reação Folclórica”, em muito deveu-se à cavalaria que, para forjar sua identidade coletiva de camada recém formada, recorreu às tradições folclóricas. A pequena nobreza procurava fazer frente às antigas linhagens, mas ambas acabaram por aproximar-se, eliminando suas divergências em prol da disputa com um adversário comum, a aristocracia eclesiástica que, com os progressos econômicos da época, passava a disputar com a nobreza o direito de exploração da terra e dos camponeses.
O folclore foi o elemento de afirmação psíquica e material da elite laica. Profundamente inseridas na cultura intermediária estavam as canções de gesta, narrativas épicas em verso de origem controversa. E no momento em que surgia o primeiro exemplar do gênero, a Canção de Rolando, um dos objetos de análise deste trabalho, por volta do ano 1100, completava-se a cristianização do cavaleiro feudal. Afirma Franco Júnior: “A cerimônia de sua armação era clericalizada e ganhava peso de sacramento. Ele colocava-se a serviço de Deus, na luta contra o infiel e o injusto. A literatura criava um tipo ideal que a Igreja esperava ver concretizado nas Cruzadas: o herói tornava-se o correspondente laico do santo”1. Este tipo ideal acabou por emergir diante da Igreja através da ordem dos cavaleiros templários, ou como costumavam referir-se a eles, os Pobres Cavaleiros de Cristo do Templo de Salomão, aprovada definitivamente pela Santa Sé no concíilio de Troyes, em 1128.
Dos cavaleiros laicos, envoltos no arcabouço do imaginário folclórico que fermentou sua formação de identidade, aos cavaleiros templários, verdadeiros monges em armas, a cavalaria passa inevitavelmente por São Bernardo, Abade de Claraval, autor de De Laude Novae Militiae (Da Excelência da Nova Milícia), escrito entre 1132 e 1136, o segundo objeto de nosso trabalho. Através da contraposição dos dois textos, esperamos conseguir demonstrar a grande diferença entre a cavalaria laica com seus valores, muitas vezes pré-romanos, enraizados na reação folclórica de Le Goff, e os Cavaleiros de Cristo, reconhecidos pela Igreja e exortados por São Bernardo2, que, acabou por apresentar-se como uma excelente saída para o problema social da cavalaria, até então fora do controle político da igreja, dentro sociedade medieval.
OPJ
1. FRANCO JUNIOR, Hilário. A Idade Média e o Nascimento do Ocidente. São Paulo, Editora Brasiliense.
2. Referência Iconográfica
:: Odi Terça-feira, Abril 01, 2008 ::
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:: Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008 ::
Terminei esta leitura e também recomendo... Livro de leitura fácil e prazerosa, muito bem escrito e do tipo que dá vontade de ler mais vezes para facilitar as diversas percepções que a obra pode despertar. Fascinante, sobretudo pela abordagem da descrição do cerco visto pelos olhos dos otomanos e não dos albaneses como seria de se esperar. Chama a nossa atenção a personagem do cronista, ou seja, o responsável pelos registros dos fatos, nosso velho conhecido, bem como suas divagações e crises diante do texto, que tinha por obrigação compilar. A matéria abaixo descreve a obra de maneira muito melhor que meus parcos recursos poderiam fazê-lo. Fica a sugestão. Um abraço a todos... Odi.
Os Tambores da Chuva - O Castelo
Ismail Kadaré
328 páginas
"Sob o regime socialista, nos idos de 1970, a Albânia respirava o ar pesado e quase intolerável da repressão pós-Primavera de Praga (1968). A nação da águia bicéfala - que, reza a tradição, vigia o Oriente com uma face e o Ocidente com outra - mais uma vez encarnava sua trajetória de resistir surdamente aos desígnios estrangeiros, de um lado e de outro.
Foi neste ano que Ismail Kadaré lançou seu livro "O castelo" - depois renomeado "Os Tambores da Chuva", devido à superpopulação de castelos na literatura moderna. Intencionalmente ou não - e nos ensinava Freud que o fato de não ser consciente não significa que não seja intencional ou real - o livro de Kadaré ecoava o clima de resistência de parcela significativa da sociedade albanesa.
Ora, contar a centenária história do cerco do exército turco-otomano à principal fortaleza cristã albanesa - que, de forma tensa e emblemática para nós contemporâneos, residia na planície de Kosova ou Kosovo, como estamos mais acostumados a ouvir no ocidente - que resiste irredutivelmente à força monumental do invasor somente poderia abrir espaço para analogias.
Kadaré o definiu como um livro frio, cruel, duro como as guerras e sem dúvida o definiu bem. "Os tambores da chuva" retrata o momento imediato à grande ascensão do Império Turco Otomano que, décadas depois da ambientação do livro, desembocaria na tomada da cidade de Constantinopla, e ao fim simbólico da medievalidade, em 1453.
Queda da "Roma tardia", como subjaz no texto de Kadaré. E então, as grandes questões postas por Kadaré e válidas tanto para a Europa ocidental cristã do século XV quanto para a Albânia do século XX: é possível aniquilar um povo? Se não é possível aniquilá-lo, será possível subjugá-lo? Caso seja possível, será ainda interessante ou útil? E uma vez subjugado, o que fazer com ele?
As perguntas diziam respeito a Tursum Paxá, comandante maior do exército turco otomano? Talvez sim, mas não somente.
Kadaré soube valer-se de uma habilidosa capacidade para a descrição das personagens do exército - tão segmentado e especializado quanto qualquer exército moderno - e do mundo turco otomano; cronistas, intendentes, janízaros (soldados de elite), voluntários...
Da mesma forma, soube conduzir a narrativa por meio de um artifício complexo: construir a história do lado inimigo, entremeando-a com breves reflexões de um resistente desconhecido, e ao mesmo tempo não permitindo que o leitor assuma a defesa do lado as partir do qual se narra.
Outro artifício de Kadaré reside em inserir na história o grande herói nacional dos albaneses, George Kastriota Skanderbeu, sem fazê-lo aparecer realmente; as indicações sobre suas ações e aparições são sempre executadas na terceira pessoa, de forma que ele está profundamente presente sem nem ao menos mostrar-se.
Se "Os tambores da chuva" não é a obra-prima do autor de "Abril despedaçado", também não pode ser considerado uma obra imatura; definitivamente, não se trata de um trabalho de iniciante. Kadaré demonstra neste livro as características que cultivou e cultiva como escritor, inclusive nas temáticas, algumas das quais irão reaparecer em obras posteriores.
Um exemplo desta retomada das temáticas pode ser observado na breve, mas interessante inserção do problema da oralidade, do surgimento da escrita e dos textos homéricos -que fascinam Kadaré - em "Os tambores da chuva".
Conhecedor do trabalho de lingüistas contemporâneos que foram buscar nos Bálcãs as heranças - ou reminiscências - tardias da transição da oralidade para a linguagem escrita, simbolizadas na figura mítica de Homero, Kadaré insere em seu livro a figura de outro poeta cego: Saded. Anos depois, Kadaré retomaria o tema para escrever "Dossiê H", que trata diretamente do assunto.
O resgate de Kadaré das relações entre os Balcãs e a Grécia clássica surgem também na argumentação do exército turco otomano sobre uma possível vingança de Tróia (destruída míticamente pelos gregos no período arcaico), e ainda na referência direta à Ilíada, que não por acaso também narra a história de um cerco, ainda que em posições invertidas.
"Os Tambores da Chuva" é um belo livro, daqueles que - a cada releitura - melhoram, amadurecem em nossas mãos."
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Fonte: SILVA, Rodrigo. http://igeducacao.ig.com.br/igler/materias/208001-208500/208082/208082_1.html
:: Odi Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008 ::
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:: Domingo, Fevereiro 03, 2008 ::
O Historiador
Autora: Elizabeth Kostova
Editora: Suma de Letras/Objetiva
540 págs
Bem... estamos de férias do ano letivo (ainda e por pouco tempo) aqui na UFMG. Não é novidade para ninguém que cursa, ou cursou, a graduação, que vivemos mergulhados nos livros e xerox, quase maníacos, por necessidade de nossa formação, afinal, o laboratório do historiador é o próprio texto. Mas as vezes, sentimos simplesmente prazer em uma boa leitura e quando estamos de férias queremos ler algo que nos traga apenas o prazer de um bom texto, que não tenha necessariamente conteúdo acadêmico. Então recomendo para os colegas o livro acima. É relativamente grande para literatura, mas extremamente bem escrito e prazeroso. O pessoal de História sentirá um prazer a mais, já que todo o enredo desenvolve-se com historiadores, nos ambientes mais diversos, alguns velhos conhecidos nossos, como arquivos e bibliotecas e outros bem inusitados. A temática vampiresca misturada a uma leve metologia historiográfica ficou muito atrativa, de forma que o livro pode ser lido em um tapa, tamanha atração que exerce ao se iniciar sua leitura. É apenas uma sugestão e, enfatizo, trata-se de simples literatura, ficção. Vai bem com uma xícara de café expresso. Abraço.
:: Odi Domingo, Fevereiro 03, 2008 ::
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:: Sábado, Fevereiro 02, 2008 ::
Diabo natural...
A introspecção de valores do historiador nas análises de seu objeto é algo inegável dentro da prática de História. Ainda que o anacronismo seja um dos maiores pesadelos de todo historiador, ele está presente de forma indissociável na abordagem do objeto de estudo. É inclusive admissível uma certa importância de um dos aspectos estruturais deste fenômeno, que seria a capacidade de sistematizar a análise partindo do presente para se absorver o passado e compreende-lo dentro de uma seqüência de acontecimentos ao invés de completamente isolado e perdido no véu do que já foi.
:: Odi Sábado, Fevereiro 02, 2008 ::
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:: Quinta-feira, Dezembro 20, 2007 ::
Não importa a época da história...
pecado e desejo... salvação e punição...
mãos dadas a caminho da cama ou das fogueiras da inquisição...
:: Odi Quinta-feira, Dezembro 20, 2007 ::
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Um belíssimo trabalho dos colegas do seminário sobre História Medieval
:: Odi Quinta-feira, Dezembro 20, 2007 ::
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:: Segunda-feira, Dezembro 17, 2007 ::

:: Odi Segunda-feira, Dezembro 17, 2007 ::
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:: Quinta-feira, Dezembro 13, 2007 ::
A inveja daqueles que brincam despreocupados, pela areia grossa de beira rio, desponta no íntimo, como um vagalume no cair da tarde. Como deve ser bom não sentir a ameaça e o peso mortífero da História encarando-nos de frente! Mas logo a sensação esvai-se... mesmo eles são ameçados... apenas não têm consciência disso, como o rebanho de Nietzsche.
:: Odi Quinta-feira, Dezembro 13, 2007 ::
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